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Gênero do documento
Textual
Espécie e tipo de documento textual
Trabalho acadêmico
Título
Invasão e violência: sobreposições da pretensa propriedade privada em Terras Indígenas no Brasil
Local de produção
Período ou ano do documento
Século 21 > Década 2020 > 2026
Instituição produtora e/ou órgão responsável
Programa de Pós-Graduação em Agriculturas Amazônicas - PPGAA
Tipo de trabalho acadêmico
Número de folhas do trabalho acadêmico
293 fls.
Povo(s), etnia(s) e/ou grupo(s) social(is) referido(s) no documento
Localidade(s) referida(s) no documento
Palavras-chave
Conflito fundiário | Grilagem de terra | Laboratório Etnoterritorial do Sul da Bahia | Propriedade privada | Terras Indígenas
Referência e/ou procedência do documento
Programa de Pós-Graduação em Agriculturas Amazônicas, do Instituto Amazônico de Agriculturas Familiares, da Universidade Federal do Pará e Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária - Amazônia Oriental como requisito para obtenção do título de Mestre em Agricultura Familiar e Desenvolvimento Sustentável
Resumo
Esta dissertação analisa as invasões de terras indígenas (TIs) no Brasil como expressão estrutural da formação da propriedade privada no campo, articulada à concentração fundiária, à grilagem de terras e à acumulação capitalista. A pesquisa fundamenta-se em uma base de dados elaborada a partir de informações públicas oficiais e em técnicas de geoprocessamento e análise documental, por meio das quais foram identificadas 1.694 sobreposições de imóveis rurais privados sobre TIs, totalizando mais de 1,18 milhão de hectares invadidos em quase todas as Unidades da Federação. Os resultados evidenciam que as invasões e as violências atingem terras indígenas em distintas fases do processo demarcatório, inclusive áreas homologadas, indicando que a usurpação territorial compõe uma prática sistemática legitimada direta ou indiretamente pelo Estado. A análise do uso do solo demonstra a predominância de atividades agropecuárias voltadas à produção de commodities, sobretudo pastagens e soja, bem como áreas destinadas à reserva patrimonial e à especulação fundiária. A dissertação incorpora, ainda, um estudo de caso da Terra Indígena Comexatibá, por meio da análise das cadeias dominiais dos imóveis incidentes, evidenciando a recorrência de títulos sem origem e a atuação estatal na titulação e anistia da grilagem. Conclui-se que as invasões constituem mecanismo central de espoliação territorial e base material dos conflitos agrários no Brasil, reproduzindo a violação sistemática dos direitos dos povos indígenas no Brasil.


