A presente exposição virtual conta o processo de retomada do museu
Territórios da retomada Pataxó:
Pesquisa colaborativa para construção da nova exposição permanente do Museu Indígena Pataxó da Aldeia Coroa Vermelha. (Bahia, Brasil)
O Museu Indígena Pataxó de Coroa Vermelha (MIPCV) foi construído no final dos anos 1990 para comemorar os quinhentos anos do chamado “Descobrimento” do Brasil. Após a celebração do evento em 2000, o museu foi abandonado pelas autoridades, com exceção da própria comunidade indígena que, com esforços próprios, conseguiu mantê-lo aberto até 2018, quando fechou as portas. Devido ao seu apelo afetivo, em 2020 a comunidade decidiu reconstruí-lo, mas a partir de outros marcos epistemológicos, inspirados na nova museologia indígena e social. Após quase cinco anos de retomada do museu, alguns resultados já foram alcançados:
Reformou-se o prédio, elaborou-se coletivamente o Regimento Interno e montou-se a exposição temporária “Ãbakohay ūg kahab: memória e viver Pataxó”, sob a curadoria de Arissana e Oiti Pataxó. Essa exposição marcou a reinauguração provisória do museu em janeiro de 2024.
Atualmente, a equipe curatorial do museu inicia uma nova etapa do projeto: realizar uma pesquisa mais aprofundada para a elaboração de um novo projeto expográfico que representará a exposição de longa duração do museu.
Início da colaboração para a reconstrução do museu
No final de 2021, a Associação dos Comerciantes Indígenas do Parque Indígena de Coroa Vermelha (ACIPICV) procurou alguns professores da Universidade Federal do Sul da Bahia/UFSB e propôs uma colaboração nesta iniciativa de reconstrução do museu. A proposta foi aceita com alegria e um projeto de extensão foi implementado no âmbito da UFSB. Ao longo de 2022, foram realizadas uma série de reuniões e oficinas na Terra Indígena Coroa Vermelha.
Lançamento do Regimento interno do museu
Em 2023 o regimento interno foi aprovado pela comunidade e em janeiro de 2024 o museu foi reaberto provisoriamente com a exposição temporária “Ãbakohay ūg kahab: memória e viver Pataxó” de curadoria de Arissana e Oiti Pataxó, dois grandes expoentes da arte contemporânea pataxó. Agora, trata-se de dar mais um passo e iniciar a realização de uma pesquisa para a elaboração do projeto museográfico para a exposição de longa duração do museu.
Convites para a retomada do Museu
Trechos do Regimento interno
“O MIPCV é uma instituição vinculada à Associação de Comerciantes do Parque Indígena Pataxó da Aldeia Coroa Vermelha e tem como missão valorizar e difundir a história (passada, presente e futura) e a cultura do Povo Pataxó para diferentes segmentos da sociedade, levando em conta a reflexão crítica sobre valores humanos, diversidade sócio-cultural, respeito ao meio ambiente e cidadania” (Regimento Interno, 2023).”
“Segundo Ademário Pataxó, diretor da Escola Municipal de Coroa Vermelha, os primeiros grupos culturais Pataxó nasceram no museu, dando visibilidade para que o Estado reconhecesse a identidade étnica pataxó e, portanto, seus direitos territoriais, educacionais e de saúde” (Regimento Interno, 2023).
Exposição temporária: Ãbakohay ūg kahab: memória e viver Pataxó: reabertura do museu
Após mais de cinco anos fechado, o Museu Indígena Pataxó da Aldeia Coroa Vermelha foi reaberto ao público em janeiro deste ano. Para esta reinauguração, foi montada uma exposição temporária com curadoria dos artistas Arissana Pataxó e Oiti Pataxó. A exposição “Ãbakohay ūg kahab: memória e viver Pataxó” reúne artes variadas produzidas pelo povo Pataxó, desde utensílios de uso diário a vestimentas e adereços tradicionais. Arissana Pataxó explica que o visitante também terá acesso a um pequeno acervo de livros produzidos por professores indígenas Pataxó nos últimos 20 anos.
Material relacionado ao museu
Trechos entrevista com Arissana Pataxó
“Esse acervo demonstra a luta árdua das comunidades por uma educação escolar indígena que valorizasse e fortalecesse a cultura Pataxó. Através de documentos, jornais e cartas expostas é possível conhecer um pouco das mobilizações frente às armadilhas governamentais às lideranças e aos territórios tradicionais no extremo sul da Bahia” (Arissana Pataxó, 2024)
“O visitante poderá perceber que, em paralelo à beleza e o primor no fazer artísticos, há também uma luta árdua para nos mantermos enquanto um povo, uma nação frente a todo processo de colonização que se instalou primeiramente aqui nesse território e é perpetuado através do racismo ambiental” (Arissana Pataxó, 2024)
Instalações do Museu e montagem da exposição
Pesquisa colaborativa para a nova exposição de longa duração do museu
Para elaborar o novo projeto museográfico da exposição, a equipe curatorial, composta por Oiti e Arissana Pataxó e Pablo Barbosa, realizaram uma pesquisa etnográfica, histórica e linguística.
Essa pesquisa buscou interrogar algumas questões que servirão de fio condutor para a narrativa da nova exposição:
– Como os indígenas Pataxó do sul da Bahia elaboram as auto narrativas sobre si mesmos e sua história? – A cronologia histórica pataxó coincide com a cronologia histórica nacional? – Quais eventos, lugares e artefatos são marcantes em sua trajetória? – Que personagens humanos e não humanos devem ser lembrados? – Qual a importância desses discursos de autoria indígena no âmbito de suas lutas políticas para retomar seus territórios e sua cultura, visando o fortalecimento de sua identidade? – Que lições tirar de tudo isso? Desde a população local, em parte ainda racista, até os turistas que invadem a região para visitar o local do “Nascimento” do Brasil e seus primeiros habitantes? Sem esquecer obviamente alguns antropólogos que ainda buscam autenticidade entre os indígenas? Essas foram algumas das questões que guiaram essa pesquisa colaborativa
Considerações finais
A trajetória de reconstrução do Museu Indígena Pataxó da Aldeia Coroa Vermelha revela a potência da memória como ferramenta de resistência e afirmação identitária. Ao assumir o protagonismo no processo museológico, o povo Pataxó não apenas recupera um espaço físico de representação, mas redefine seus próprios marcos epistemológicos, articulando arte, história, educação e luta política. A exposição temporária “Ãbakohay ūg kahab: memória e viver Pataxó” simboliza essa retomada, ao reunir saberes tradicionais e contemporâneos que expressam o viver indígena para além das narrativas coloniais.
Nesse contexto, a pesquisa colaborativa que orientará a nova exposição permanente é um desdobramento natural e fundamental desse processo de reexistência. Mais do que um projeto expositivo, trata-se de construir um espaço de escuta, de reflexão crítica e de produção de conhecimento a partir das vozes indígenas. Ao interrogar as formas de narrar a própria história e de representar o mundo, o museu se afirma como lugar de transformação social, onde o passado e o presente do povo Pataxó se entrelaçam para projetar um futuro mais justo, diverso e anticolonial.
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