História indígena e do indigenismo no Sul e Extremo Sul da Bahia
Descrição da coleção
Durante muito tempo, a cultura pataxó, povo indígena da região Nordeste do Brasil, esteve adormecida, invisível e esquecida, uma vez que o próprio fato de ser indígena era motivo de grande discriminação e perseguição. No entanto, desde que o processo de redemocratização do Brasil, começado no final dos anos 80’, iniciou-se um forte movimento de resistência e afirmação cultural, também chamado de “retomada”. A “retomada” significa muitas coisas ao mesmo tempo: a recuperação dos territórios indígenas tradicionais e da sua cultura por parte das gerações indígenas mais jovens. Procuram reunir os conhecimentos dos mais velhos a fim de se reconectarem com a sua história, língua e cultura, reafirmando a sua identidade Pataxó. Além da recuperação dos territórios, outros elementos importantes dessa retomada são: a recuperação da língua pataxó, a recuperação dos rituais locais e a recuperação das técnicas tradicionais de criação de objetos através de uma releitura por intelectuais e artistas pataxó contemporâneos. Como resultado, este processo tem contribuído na luta pela terra, por direitos e cidadania.
Foto de Curt Nimuendaju (Acervo CELIN/MN/UFRJ)
Foto de Curt Nimuendaju (Acervo CELIN/MN/UFRJ)
É na tentativa de contribuir com esse movimento mais amplo de “retomada”, que estamos propondo a criação da Coleção Temática Territórios da retomada Pataxó. Esta coleção tem caráter piloto no âmbito do projeto e já vem sendo organizada por meio de projeto financiado pela Fundação SDCelar. Através de uma metodologia colaborativa, articulada com algumas lideranças Pataxó e instituciões e coletivos locais, trata-se de realizar levantamentos de material textual, cartográfico, imagético e audiovisual em bibliotecas e arquivos (PINEB/UFBA, ANAÍ, CIMI, Museu do Índio, GT História Indígena na Bahia etc.) e através ferramentas como, por exemplo, a etnografia e a história oral e de vida para retratar a historicidade dos territórios da retomada Pataxó.
Essa metodologia de trabalho tem importantes implicações políticas e sociais para a comunidade pataxó em geral. Através da pesquisa coletiva e da digitalização de fontes escritas, orais e iconográficas, entre outras, a coleção Territórios da retomada pataxó facilitará os processos de demarcação dos territórios pataxó, muitos dos quais estão ainda em disputa. Em segundo lugar, através da curadoria compartilhada, procuramos descolonizar os processos tradicionais de construção de coleções, desconstruindo assim a ilusão museográfica ocidental sobre os povos. Finalmente, a coleção permite-nos propor outros regimes de memória ou narrativas históricas que procuram contribuir para uma maior apreciação do mundo pataxó e do trabalho criativo e artístico dos seus artesãos e artistas contemporâneos.
Mural do cacique Manoel Santana (? – 2023)
Curadoria

Pablo Antunha Barbosa
coordenador

Alícia Araújo da Silva Costa
pesquisadora colaboradora

Alexandre Capatto
Pesquisador colaborador

Francisco Vanderlei Ferreira da Costa
pesquisador colaborador








